Uma noite no Parque Lage
Fabiane Pereira

22.08.2015

Escrevo na madrugada de sexta para sábado. Cheguei em casa há pouco, depois de um show arrebatador, no Parque Lage, em homenagem aos sessenta anos da diva do pop nacional, Marina Lima. Faço um chá de hibisco e me sento em frente ao computador para tentar colocar em palavras o que pulsa, absurdamente, no meu corpo e mente.

 

Localizado aos pés do Corcovado, tendo o Cristo Redentor de braços abertos como moldura, no bairro do Jardim Botânico, o Parque Lage é um dos meus lugares preferidos no Rio de Janeiro. A qualquer hora, ele é um programão, e nessa noite de sexta não foi diferente. A revista Amarello, uma publicação de cultura contemporânea que tem à frente o realizador Tomás Biagi, promoveu um show para celebrar as seis décadas de Marina, a piauense mais carioca da gema da cidade, e convocou Marcelo Jeneci para dirigir este espetáculo. E que espetáculo!

 

Sou bastante fã do trabalho de Jeneci. Sua música me toca desde a primeira vez que o vi, e ouvi, no show de lançamento de seu primeiro disco, Feito Pra Acabar, no Teatro Oi Casa Grande – e isso já faz uns anos. De lá pra cá, ficamos amigos, e acompanhar o desenvolvimento deste artista de perto é um privilégio. Neste show, em especial, ele conseguiu imprimir sua assinatura e deu novos arranjos para os clássicos de Marina Lima e olha que na obra de Marina não faltam clássicos: Fullgás, Acontecimentos, Charme do Mundo, Não sei Dançar e tantos outros.

 

Outros nomes expoentes desta nova safra de excelentes artistas da música popular brasileira também foram convocados para reler estes sucessos: a paulista Laura Laviere e os cariocas Qinho, Bruno Cosentino e Ana Lomelino. Cada um deles cantou três ou quatro canções. Tudo com o auxílio de uma iluminação deslumbrante assinada por Alexandre Boschini (the best!!). No final, Marina diva Lima ainda subiu ao palco pra nos dizer que apesar do chame do mundo, ela não quer luxo nem lixo, só gozar no final. Todos os presentes concordam cantando a plenos pulmões.

 

Todas as vezes em que assisto a um espetáculo como este e tenho uma noite como esta relembro porque escolhi o Rio de Janeiro para viver. É de pessoas interessantes e interessadas em ouvir (e fazer) boa música, à beira da piscina, de que este mundo precisa. Viva Marina Lima!

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