três ponto cinco: me abraça, nova idade
Fabiane Pereira

06.04.2016

Ruta Cine Almodóvar Castilla Mancha - Hunger Culture

Moro no Rio de Janeiro. Nasci em Volta Redonda. Feminista. Tenho um irmão mais novo. Católica por formação. Budista por identificação. Espiritualizada por opção. Jornalista. Escritora. Produtora cultural. Trabalho com o que amo. Ganho (muito) menos do que mereço. Sou feliz por converter minhas fobias em trabalho rentável. Tenho um livro publicado com meu nome, mas não escrevi quase nada nele. Ainda publicarei outro este ano. I hope! Ouço mais música do que a maioria que conheço. Leio mais livros do que a média das pessoas. Solteira. Sem filhos. Nunca tomei tarja preta. Mentira, tomei sibutramina por quatro meses e quase parei numa clínica de reabilitação. Adoro novela, Silvio Santos e seriados. Sou vintage, mas amo a vanguarda. Gosto de temperaturas amenas, porque vestir qualquer trapo no verão carioca é insalubre. Áries, com ascendente em capriKarma e lua em touro. Ouço pouco a cabeça e muito a intuição. Sou teimosa, intensa e temente. Tenho medos. Muitos. Medo de acabar sozinha no asilo de uma cidade do interior, esquecida por todos, afinal não sou a moça pra casar dos sonhos do meu pai nem da maioria dos homens. Mas esta maioria de homens também não me interessa. Morro de medo do grito do relógio biológico. Quero ter (três) filhos. Quero véu e grinalda (já disse que sou vintage? E contraditória?). Já amei mais do que achei que pudesse aguentar. Já chorei tanto que parei na emergência por desidratação. Tendo à esquerda. Gosto de rádio. Estou locutora. Sou fã de Marisa, Chico, Emicida, Buchecha, Jeneci, Gal, Toquinho e Céu. Gosto das invenções do Steve Jobs e das cores de Frida. Pareço mais com as mulheres de Almodóvar do que com as de Woody Allen. Sinto-me mais perdida que achada. Berlim é minha cidade no mundo. Barcelona, nunca te vi e sempre te amei. Lisboa, em breve nos (re)encontraremos. Invento e me reinvento todos os dias. Café faz parte, mas não me conquista. Chá verde, só em música da Tiê. Arranho o violão. Deixo versos pelas paredes de casa. Nunca pintei os cabelos. Já os tive de todos os tamanhos. Transbordo-me com frequência. Como carne vermelha. Adoro picanha bem passada, cerveja e vinho tinto. Gosto, às vezes, daquela água batizada. De carnaval, gosto só em anos ímpares. Nos pares, me refugio. Faço uma fezinha de vez em quando, mas pago a previdência em dia. O plano de saúde também não costuma atrasar. Todo o resto é pago quando dá. Sou devota de Guimarães Rosa, Simone, Barthes, Sartre, Machado, Rimbaud e Santa Rita. Aos três ponto cinco não dá mais pra fingir. Pra fugir sempre dá. Virar a noite na gandaia já não rola. Cada porre custa caro. Já conheço bem minhas qualidades e sei de cor meus pontos fracos. A maior vantagem desta idade foi ter ganhado as noites de sextas. Eu faço o que eu quiser e tenho gostado muito de ver filmes na Netflix em minha (exclusiva) companhia. Troquei o salto pelas pantufas, o vestidinho preto indefectível por um pijama bem confortável – a menos que tenha alguma festinha incrível... mas nada mais é imperdível aos trinta e cinco. Troquei a noite pelo dia. A farra pela corrida. Não, péra... mas tô tentando. Estar sempre bonita, feminina e depilada me cansa. O muro nunca me atraiu. Prefiro ter opinião do que ser uma mosca morta. Melhor escrever um monte de asneira do que ser uma serial killer. Me abraça, idade nova!

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