Tá pouco de feminismo, manda mais.
por Fabiane Pereira

08.06.2016

Feminismo

Já falei de feminismo por aqui inúmeras vezes mas em dois posts pude abordar a questão com um pouco mais de profundidade: A revolução é ROSA (choque) e Precisamos SIM falar sobre feminismo. Mas tá pouco então não dá pra falar de outra coisa neste momento.

 

Vamos aos fatos: o presidente interino formou um ministério só com homens - pra quem não sabe, isso não acontecia desde a ditadura militar, período trevas da história do país. Uma menina, carioca, de 16 anos foi estuprada por 33 homens e completamente exposta através das redes sociais. Uma mulher a cada 4 minutos no Brasil é atendida na rede pública por ter sido agredida por um homem. A nova titular da Secretaria das Mulheres - o Ministério das Mulheres foi extinto na nova configuração política -, Fátima Pelaes, é evangélica e não simpatizante das pautas polêmicas do feminismo.

 

Vou parar por aqui para seguir com o texto porque os casos de sexismo no Brasil são inúmeros. Num momento simbólico da luta feminista em todo país, na esteira da reação ao PL 5069/2013, de autoria de Eduardo Cunha, que complica ainda mais o acesso ao aborto legal, a mobilização de mulheres nas ruas tem crescido a cada dia. As hashtags #MeuPrimeiroAssédio, #MeuAmigoSecreto, #AgoraÉQueSãoElas,  #MeuAborto, #EstuproNuncaMais e #ACulpaNuncaÉdaVítima cobram, diariamente, uma maior participação de mulheres na sociedade através da representatividade na esfera pública e esta cobrança também cresce nas ruas de todo o país, principalmente nas capitais.

 

Desconfio que um governo, em pleno século XXI, que privilegia um inegável protagonismo masculino-branco-classe média não pode receber outro predicado que não “machista”. Um especialista poderia elucidar os porquês de mulheres serem preteridas na maioria das áreas profissionais e nos altos cargos das grandes e médias empresas. Ele provavelmente diria que em qualquer ramo a coisa se repete, e que a domesticação feminina priorizou outras atividades e atrasou nosso lugar em centenas de situações, especialmente as intelectuais ou as de liderança. Mas disso, a gente já sabe.

 

Ainda que a violência física ou sexual seja a que mais salta aos nossos olhos, ela não é a única cometida contra as mulheres. Desde muito jovens, milhares de mulheres são também vítimas de violências mais silenciosas como a psicológica, patrimonial ou moral. Além disso, a desigualdade de gênero faz com que nós tenhamos outros direitos violados como a educação, o lazer e o próprio corpo.

 

O mundo todo — ocidental — ainda é um lugar predominantemente heteronormativo, branco e, especialmente, privilegiado para homens. Por isso, mulheres de vários países têm ido às ruas, nestes últimos meses, exigirem igualdade porque os abismos de oportunidades e direitos entre homens e mulheres são imensos.

 

Engana-se quem pensa que a desigualdade entre os gêneros afeta apenas a base da pirâmide.  Até a suposta nata da nata - mulheres que estão no topo da pirâmide do privilégio e poder feminino - sofre com a alarmante falta de representatividade feminina. Em 2014, por exemplo, a renomada escritora e ilustradora britânica Joanna Walsh criou no Twitter a hashtag #readwomen2014 - uma das mais comentadas daquele ano - expondo o problema da "sua categoria". Estamos em 2016, a poucas semanas da Flip, maior festa literária do país, e este é o segundo ano em que a homenageada é uma mulher, Ana Cristina César - em 2005 foi Clarice Lispector. A festa existe desde 2003.

 

O feminismo não é uma luta exclusiva das mulheres. É uma luta de todos. Porque só com homens e mulheres unidos poderemos começar a corrigir uma desigualdade histórica. Então, homem, junte-se a nós!

Tudo a ver com

#meuamigosecreto