Somos tantas
Fabiane Pereira

22.12.2015

Sou mulher, brasileira, a favor do aborto e contra os desmazelos do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Sou guerrilheira e minha luta é pela paz mundial. Sou professora e, de mãos dadas com meus alunos, estou ocupando escolas de São Paulo para evitar que elas fechem por ordem de Alckmin. Sou favelada carioca implorando compaixão das autoridades. Sou grevista lutando por melhores condições de trabalho. Sou refugiada. Sou cabocla na cidade grande, sonhando com um futuro melhor. Sou voluntária da Cruz Vermelha atendendo as vítimas do terrorismo. Sou negra brigando, em pleno século XXI, por igualdade. Sou assediada sexual e psicologicamente, todos os dias, por um bando de machistas, mas não me calo. Sou a mãe que perdeu seu único filho num tiroteio entre moradores do morro e a PM do Rio. Sou a irmã do traficante do Alemão que lutou até o fim pra ele sair desta vida. Sou viúva de um homem que era viciado em cocaína, mas, através do meu testemunho, salvei várias outras mulheres deste estado civil. Sou usuária de maconha tentando descriminalizar a erva no Brasil. Sou dona do meu corpo gritando pelo óbvio na Marcha das Vadias. Sou a criatura que perdeu casa, cachorro e marido no acidente criminoso em Mariana. Sou palestina. Sou judia. Sou muçulmana. Sou francesa. Sou a órfã que não conheceu o pai, porque ele abandonou minha mãe quando descobriu que ela estava grávida. Sou a cidadã que exige que a Vale se responsabilize pelo extermínio de um grande rio e de toda uma cidade que nasceu banhada por suas águas doces. Sou ativista de sofá. Sou militante de facebook. Sou devota, e por ter fé, eu ainda acredito que a humanidade dará (muito) certo. Sou muitas. Somos tantas. E juntas sempre seremos mais fortes.

 

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