Salva por eles
por Fabiane Pereira

20.07.2016

Amigos

Às vezes, normalmente em dias chuvosos quando a melancolia acha brecha e chega pra dizer 'oi', dá uma saudade deles. Eu vim pro Rio. Outro casou e continuou em Volta Redonda. O Cadu se mandou pro Caribe. A Ju, faz anos, tá em Juiz de Fora. O Bruno casou e tá em Sampa. As mais grudadas, hoje também vivem no Rio mas nos vemos bem menos do que eu gostaria. O resto se espalhou pelo mundo. Muitos nunca mais tive notícias. Alguns poucos encontro em anos bissextos. E aí, naqueles dias mais cinzas bate uma saudade de todos eles.

 

Aí vem você dizer: cria um grupo de whatsapp! 

 

Ora, eu já tenho um grupo de whatsapp com eles e nos falamos todos os dias mas por alguma razão do imponderável, raramente conseguimos nos ver... quando temos sucesso, nos encontramos no Natal e olhe lá.

 

As desculpas, ops justificativas, pro desencontro são inúmeras e todas (super) plausíveis: a passagem Caribe-Brasil com o dólar em alta dificulta a ida, o mestrado toma todo o tempo livre, a esposa e o marido não se acostumam com estes encontros anuais “meio adolescentes”... No fim, nossa relação é muito virtual e pouco real. Mil declarações e putarias (sim, é óbvio que há putaria entre amigos que se conhecem há 20 anos) virtuais e pouca crise de riso até a barriga doer e a visão começar a ficar turva inebriada por vinho tinto.

 

Li, com atraso, uma crônica da atriz e escritora Maria Ribeiro intitulada "pessoas são salvas por pessoas". É óbvio mas como ela mesma afirma no texto, "às vezes a gente se esquece" e eu já fui salva por eles inúmeras vezes. Tantas que seria incapaz de nomeá-las sem esquecer, ao menos, umas cem situações.

 

Graças ao Tiago fui salva pela irmandade mais genuína. À Ana, dedico minhas risadas mais (escandalosamente) plenas. Ao Bruno, minha autoestima. Graças ao Diogo sei cantar todos os pagodes dos anos 90. A Ju me ensinou a ter apreço pelo violão e pelas revistinhas de cifra. Foi o Gilson quem me ensinou a escolher uma boa picanha pro churrasco e a servir cerveja na temperatura certa e isso é muita coisa. À Carol, dedico meu mundo. O Cadu me mostra que amizades verdadeiras nascem (quase) no maternal.

 

E hoje, do nada, bateu uma saudade enorme deles. Amigos amados, vocês continuam me salvando deste mundo cão.

 

nota de rodapé: no último domingo, estava lendo o (ótimo) livro da Roxane Gay, "Má Feminista - Ensaios provocativos de uma ativista desastrosa" que, obviamente, fala sobre questões feministas - pauta que adoooro "discutir" com meus amigos - e uma frase "pouco a ver com o tema" me chamou atenção: "Não queira nada que não seja o melhor para seus amigos, porque quando eles são felizes e bem-sucedidos, provavelmente se tornará mais fácil para você ser feliz também". É isso.

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