Quatro MUST-HAVES de agosto
por Fabiane Pereira

20.08.2016

Mãe só há uma

LIVRO: a história dos meus dentes
Sabe livro que a gente protela pra ler porque todo mundo diz que é incrível. Aí, resolvemos ler e tcharam: é incrível mesmo! Então...estou falando do genial A história dos meus dentes, da escritora (gata!) mexicana Valerie Luiselli que esteve na FLIP 2016. O protagonista tem uma missão: trocar todos seus dentes. Ele possui algumas habilidades que podem ajudar nessa empreitada, como, por exemplo, imitar Janis Joplin e decifrar biscoitos da sorte chineses. Além disso, ele é o melhor leiloeiro do mundo — mesmo que ninguém saiba disso, já que ele é muito discreto. Enquanto estuda o ofício com o grande mestre Oklahoma, Estrada viaja o mundo aperfeiçoando seu talento e nos mostra como o valor da arte e a nossa própria identidade podem ser construídos. O livro é delicioso e retrata nossa relação com o mundo dos objetos e suas histórias.

 

Eu acabei de concluir uma pós-graduação em "Formação do Escritor" e a escrita inventiva e elegante de Valerie me deixou completamente apaixonada. Tenho certeza de que você vai se apaixonar também.

 

CD: Rico Dalasam
Ele é lacrador! Ele é Artista Faro MPB de agosto! Ele é expoente do queer rap mescla hip-hop! Rico Dalasam acaba de colocar nas redes seu primeiro disco com oito faixas autorais repletas de timbres indianos, flautas e percussões brasileiras. Orgunga sucede o EP que lançou o rapper ao mundo, Modo Diverso, de 2015. A expressão que dá nome ao disco de Dalasam foi criada por ele mesmo e sintetiza as palavras “orgulho, negro e gay”. “Negros, gays, rappers: quantos no Brasil? Deve haver vários tantos”, canta ele na faixa “Dalasam”, que abre Orgunga. O cantor de Taboão da Serra é um dos expoentes do subgênero chamado queer rap. É um discaçoooo e eu super recomendo.

 

> Disco disponível para download gratuito aqui!

 

TEATRO: Os Realistas
Nada do que eu disser vai dar a dimensão exata (não chegará nem perto, pra ser sincera) do espetáculo Os Realistas em cartaz no Teatro Maison de France, no Centro do Rio. Em cena, quatro personagens têm que lidar com seus medos e com a morte. Com atuações sensacionais de Mariana Lima (musa!), Débora Bloch, Emílio de Mello e Fernando Eiras, dois casais de vizinhos se encontram e descobrem ter mais em comum do que casas idênticas e sobrenomes iguais. Em um hábil jogo de cena, o autor do texto, o americano Will Eno, mostra que nem tudo é o que parece ser. A gente sai da peça refletindo sobre tudo e achando que não entendeu nada. Ou vice versa.

 

CINEMA: Mãe só há uma
Mais um filme arrasa quarteirão da cineasta Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?). O longa é inspirado livremente no caso Pedrinho, menino sequestrado em uma maternidade de Brasília nos anos 1980. O protagonista Pierre está vivendo sua adolescência. Com os hormônios à flor da pele, experimenta, arrisca, ousa. Como todos de sua idade, é contido na casa onde vive com a mãe e a irmã, mas transforma-se no momento em que está sozinho ou entre amigos: vive sua sexualidade fluida; namora enquanto cochila na sala de aula; ensaia junto com a banda de garagem, e segue a vida. De repente, tudo aquilo que o cercava, suas referências e o local onde se sentia seguro são tomados dele. A estrutura de Pierre era falsa. Ainda criança, ele fora roubado da maternidade e agora era obrigado a viver uma nova e desconhecida vida, ao lado de pessoas estranhas que não o entendem e que ele também não quer entender. A história que poderia ser piegas é muito bem contada e você vive todas as emoções dos personagens. Em cartaz em várias salas de cinema de todo Brasil.

Tudo a ver com

a história dos meus dentes