O tempo das coisas (ou como ser sereno na espera)
Fabiane Pereira

29.08.2015

Quem me acompanha por aqui já sabe de cor: sou ariana com ascendente em capricórnio e tenho a lua sob a regência do signo de touro. A grosso modo, isso me faz impulsiva e teimosa como uma mula. Já essa tal ansiedade não sei de onde vem... Fato é que ela mexe bastante comigo.

 

Convivo com uma dicotomia interna desde que comecei a buscar alguns entendimentos. Na maioria das vezes me comporto como uma pessoa segura, retilínea, quase cartesiana. Mas saber esperar, tranquilamente, o tempo das coisas - mesmo tendo a certeza de que no final tudo se ajeita -, talvez eu só aprenda com a maturidade (!!) ou com a maternidade.

 

Alguns momentos pontuais, eu esperei (com muita ansiedade) durante minha vida inteira: ir a um show só com as amigas, viajar sozinha para outro país, sair da casa dos meus pais, minha formatura, comprar o primeiro carro... E de repente, o momento passava, a vida continuava, e outros desejos tomavam o lugar.

 

Perdi a conta de quantas vezes, esperando algo tão desejado, eu entrei numa espiral de ansiedade tão grande que acabei bloqueando o meu sentir. Em todas estas vezes, ouvi da minha mãe, de um amigo próximo, da minha life coach (ou dos três) a expressão: fica calma! Você conhece alguém que realmente tenha se acalmado depois de ouvir esta frase? Comigo, o efeito é sempre contrário.

 

O músico uruguaio Jorge Drexler tem uma canção (linda!) que fala exatamente sobre a importância de se ter calma para esperar o tempo das coisas. "La Edad Del Cielo" ganhou uma versão em português feita por Paulinho de Moska, e todas as vezes que este sentimento tenta me sufocar, me lembro dos versos: Calma / Tudo está em calma / Deixa que o beijo dure / Deixa que o tempo cure / Deixa que a alma / Tenha a mesma idade / Que a idade do céu.

 

Deixar o tempo curar é uma das maiores sabedorias que alguém pode adquirir neste mundo regido pelas verdades gritadas. Apostar na força da interrogação é dar crédito para a vida e pra gente mesmo. Menos culpa, mais aceitação e mais dias de paz consigo mesmo.

Tudo a ver com

Jorge Drexler no Submarino