O que deixa você muito feliz? Ok, eu começo.
Fabiane Pereira

06.06.2015

Foto: Fernanda Pitaluga | Do blog Meninas Cariocas.

Foi lendo a uma destas revistas que lotam as bancas e prometem felicidade eterna se fizermos tim-tim por tim-tim o que elas indicam que me deparei com a questão: o que te faz feliz? No subtítulo, a indicação vinha em negrito: mas não é felicidade passageira e sim quando você é realmente feliz de verdade. 

 

Já na primeira linha da matéria, um pedido (imperativo): pegue caneta e papel e faça sua lista. Assim eu fiz. E a possibilidade de colocar no papel tudo que me faz feliz me causou ansiedade, mas foi um belo exercício.

 

Ver fotos antigas na casa dos meus pais. Comer o bolo de fubá da minha avó. Passar a tarde brincando com meu afilhado. Saber a letra de uma música em inglês inteira, quando ela começa a tocar no rádio. Ganhar o disco do meu artista preferido e ver que ele fez uma dedicatória especial para mim. Dirigir numa bela estrada, cantando bem alto pagode antigo ou qualquer letra que me faça lembrar da adolescência. Quando caibo naquela calça incrível que só fica bem quando eu passo fome por um mês. Quando meu olhar cruza com o dele. Quando meus projetos profissionais saem da cabeça, ganham o papel e os editais públicos e/ou privados. Quando crio projetos que vão 'mudar o mundo' com meus amigos geniais (Jost, Lichote e Preto). Quando ando de bicicleta pelas ruas do Rio (sem medo de ser esfaqueada). Quando dou um mergulho e saúdo Iemanjá. Quando me lembro que tive o melhor pai do mundo e que o tempo suaviza a saudade. Quando leio Barthes. Quando ouço Vinícius. Quando estou entre poucos e grandes amigos falando besteira e me brindando com Baco. Quando acerto no shampoo. Quando permaneço com salto alto a noite inteira. Quando minha mãe me liga só pra dar bom dia ou boa noite. Quando leio as piadas infames da minha família no grupo de whatsapp. Quando reencontro, anualmente, meus amigos da escola que hoje são amigos de vida.

 

Após finalizar a lista, porque minha mão já doía, me dei conta de que não precisava mais ler aquela matéria. A felicidade não estaria lá. Ela sempre esteve aqui.

Tudo a ver com

Já tem? Som & Pausa, livro da Fabiane Pereira, no Submarino