Mudemos de assunto
Fabiane Pereira

09.10.2015

Podemos falar de arte, como essa instalação "Guarda-chuvas de Águeda", em Portugal.

Falemos de sexo. De todos os tipos. Falemos de chupão. Daqueles deixados no pescoço depois de um bom amasso. Falemos de flerte. Daqueles que já duram quase o mesmo tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol. Falemos de arrepios. Aqueles tremores rápidos e involuntários que percorrem nosso corpo quando alguém nos toca no ponto certo. Falemos de beijos. Do encontro entre duas bocas sedentas de vontade uma da outra. Falemos de olhares. Daqueles que nos despem de tão profundos. Falemos de poesia. Resultado do fingimento do poeta. Falemos de rosa. Das vermelhas, das brancas e de Noel. Falemos de música. De Debussy a Carla Brunni. Falemos mais sobre música. Paulinho, Chico, Caetano, Gil, Marisa e todos os Jorges. Falemos de idiomas. Mandarim, francês, inglês e eu ainda prefiro o acento castelaño. Falemos de grandes homens que pensaram o mundo. Barthes, Nietzsche, Marx, Alain de Botton. Falemos de cinema. Prefiro Almodóvar a Woody Allen e não gosto de Lars von Trier. Falemos de amor. Este sentimento que machuca-me, move-me ou cansa-me, dependendo do dia. Falemos de qualquer coisa, mas chega de crise política, econômica, corrupção, racismo, inflação, desemprego, machismo. Mudemos de assunto. Só por hoje.

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