Gratitudo – uma ode à empatia!
por Fabiane Pereira

02.07.2015

Empatia

Empatia parece ser a cura para a sociedade em que vivemos.

O título desta crônica tem um significado abrangente e de extrema profundidade, gratidão: tornar-se grato pela graça; rendição diante da beleza e dos mistérios da vida. Tenho formação católica, como a maioria da classe média deste país, mas conhecer outras religiões e entender a espiritualidade do mundo sempre foram questões que atraíram minha atenção.

 

A rotina, muitas vezes ou quase sempre, nos transforma em 'personas non gratas', superficiais e (por que não?) vazias. Onde não há troca, não há nada. O universo responde quando há perguntas, só há troco se houver pagamento, só há plenitude se estivermos inteiros.

 

O Brasil sempre foi um país, conhecido mundialmente, por respeitar todas as religiões. De uns tempos pra cá, talvez pela ascensão de grupos que ainda não compreenderam que o Estado é laico ao Congresso Federal ou porque há um excesso de intolerância rondando o planeta, não podemos mais nos orgulhar de viver num país em que se respeita todas as crenças e suas práticas.

 

O respeito ao próximo é a mola propulsora deste estado de 'gratitudo' (latim) e alcançá-lo em tempos de cólera não é fácil (eu diria impossível mas a Pollyanna que habita em mim ainda acredita). Somos influenciados (para o bem e para o mal) por todos os lados. Somos públicos-alvo de milhares de produtos midiáticos diariamente. Como sentir-se pleno se esta sociedade (de consumo) nos diz que sempre falta algo a ser comprado ou conquistado?

 

Depois de muita análise (e, principalmente, vontade), acho, que encontrei uma (entre tantas) alternativa: empatia. Desenvolver, diariamente, a capacidade de colocar-me no lugar do outro. Parece simples, quase bobo, mas é difícil. Compreender os sentimentos e as reações dos outros diante de um acontecimento exige sabedoria. Sentir a dor do outro (seja a do igual ou daquele que vive à margem) exige abstenção, muitas vezes, do próprio eu.

 

Chegar neste ponto (que muitas vezes empaca na conversão da teoria pra prática) exige, individual e socialmente, muito esforço porque o caminho é árduo. E quem quer se esforçar pelo outro hoje em dia?? Assumir pra si que sozinha é incapaz de transmutar suas crenças limitantes é libertador. E da liberdade nasce a gratidão e dela a capacidade de termos empatia. E de tudo isso, a convivência em sociedade.

 

Estudos não tão recentes feitos com pessoas na terceira idade já afirmaram que os piores momentos da vida também foram relatados como sendo os melhores porque foram graças a tais tragédias e/ou crises que as oportunidades de mudanças surgiram (aliás, em grego crise e oportunidade são sinônimos). O ponto de partida é muito doloroso, é a crise em estado bruto, sem saídas, sem horizontes, sem perspectivas. É o estado em que nosso país se encontra.

 

Mas como toda viagem existe um caminho a ser percorrido e sabendo aproveitá-lo, mesmo com os inúmeros desvios de rota, ele é a melhor parte. Atentar-se para a percepção de que a vida nos dá, pelo menos, uma dúzia de caminhos para resolver cada problema com sabedoria, sem pressa, sem afobação, sem arrependimentos futuros é, acredito, chegar próximo ao nirvana. Pensar a médio e longo prazo em melhorias geracionais para uma nação pode provocar mudanças significativas.

 

Clarice Lispector quando assina a frase, "Porque eu sou o outro", já nos dá, em 1962, a dica de como conviver com este sentimento de derrota social e pessoal em que nos encontramos em 2015. Quanto tempo mais vamos desperdiçar tentando captar uma mensagem tão óbvia??

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