A falta que ‘ele’ faz
por Fabiane Pereira

19.06.2015

A falta que 'ele' me faz

Perrengues dessa vida...

Anualmente, 'ele' está entre meus pedidos 'top five' na lista de final de ano. Eu desejo que 'ele' nunca me falte, que 'ele' esteja sempre comigo, na saúde e na doença, na riqueza e (principalmente) na pobreza, sendo quase um pseudônimo, um sobrenome, uma tatuagem. Todo ano escrevo, mentalizo e desejo (profundamente) que 'ele' não me largue nem por um momento, nenhuma horinha sequer nos próximos 365 dias.

 

Terapia duas vezes por semana, ouvidos de amigas alugados dias sim/outros também, pilates e meditação para aliviar a tensão provocada pela falta 'dele', caminhadas pela Lagoa com música alta nos fones (dizem que o segredo é deixar a música mais alta que os problemas), tudo pra eu não me lembrar que, num descuido, coloquei toda minha reputação em xeque.

 

Veja bem, estava eu passeando de bicicleta (porque é ecologicamente correto e, dizem, ajuda a modelar o 'corpitcho') pela calçada de Ipanema, quando avisto AQUELE vestido na vitrine. Azul é a cor mais quente mas minha conta bancária insiste em não sair do vermelho mas já que 'ele' foi embora e, AQUELE vestido tá gritando meu nome... entro na loja.

 

Entro na loja com a certeza de que AQUELE vestido foi a inspiração de Samuel Rosa para os versos 'ela é incrível, com seu vestidinho preto indefectível'. Sim, o vestido é baphônico! Eis o segundo erro (o primeiro foi entrar na loja): no atual momento da minha vida, onde, diabos, vou usar um vestido tão bapho?? Na reunião de condomínio, nas aulas da pós, no supermercado, na frente da TV domingo à noite ou em todas as alternativas anteriores??

 

Dane-se. Pedi pra provar (olha o terceiro erro aí!). Só tem um e dois números menores do que eu visto mas por alguma conjuntura interplanetária, 'ele' me abandonou então, eu, ariana determinada, tenho a certeza de que ele ficará incrível.

 

Mas não... fico entalada. O vestido mal entra, não fecha, e pior, também não sai. A vendedora, a esta altura, já está atendendo outra cliente e não me escuta. Eu tenho duas opções: morrer sufocada ou sair quicando até encontrar uma alma caridosa que me tire de dentro do vestido sem que eu o estrague e tenha que desembolsar um rim pra arcar com o prejú.

 

Encontro, depois de alguns minutos entalada, uma alma caridosa, afinal, em toda loja de vestidos baphônicos que se preze, há, pelo menos, uma mulher que já passou por isso.

 

Sem 'ele', não saia de casa. E se sair, escreva na testa com caneta neon: a falta de bom senso faz mal à saúde (física, mental e social).

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