Escrevendo sentada na cama
por Fabiane Pereira

26.02.2016

Escrevendo na cama

Não conheço um escritor que nomeie seus textos, livros ou poemas com segurança rapidamente. Sempre ouço aquele papo de que um bom texto se auto intitula e chego à conclusão que meus textos são bem ruins porque, entre outras coisas, eu fico horas e até dias para intitulá-los e ainda assim sob dúvidas infinitas. Fora as inúmeras vezes que depois de batizados, eu os rebatizo. Muitos dos meus títulos refletem a minha completa preguiça em nomeá-los. Alguns títulos claramente me vencem pelo cansaço (ou pelo dead line).

 

Por isso invejo os pintores e o minimalismo dos títulos (ou legendas) de seus quadros. Penso no problema que eu teria tido se fosse nomear a Mona Lisa de Leonardo da Vinci ou A Mulher Sentada de Picasso. Em vários (auto) retratos pintados por Frida Kahlo além de suas cores serem potencializadas através de suas pinceladas geniais, o que me chama a atenção é a simplicidade (óbvia) dos nomes dados a estas imagens: Frida and Diego Rivera, The Two Fridas, Me and My Parrots...

 

Conversando com um amigo que entende mais de artes plásticas do que eu (diga-se de passagem, pouco entendo), ele foi categórico: a obra por si só já diz tudo. E de fato, ninguém duvida que há, por exemplo, duas Fridas na tela da artista mexicana.

 

Títulos, legendas ou qualquer outro tipo de nomeação indicam caminhos e na arte os caminhos precisam ser descobertos individualmente. O que importa é o percurso, o olhar e os (re) significados de cada um.

 

Escrevendo sentada na cama é óbvio mas permite inúmeras interpretações. O título nada mais é que um chamado. É como se o autor dissesse: ei, vem ler o que escrevi. Uma vez capturado, o leitor pode encontrar o autor no caminho ou encontrar um outro caminho. E esse é o grande barato.

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