Empoderamento feminino. Só tá começando.
por Fabiane Pereira

08.03.2016

Dia da

2015 foi o ano do empoderamento feminino - pra usar a expressão da moda. Em 2016, estamos muito mais conscientes e ajudando umas às outras a entender que muitos padrões estão tão enraizados que tornaram-se normais mas não o são.

 

Alguns reclamam e dizem que falar sobre direito virou modinha. Que bom que, finalmente, virou modinha falarmos sobre direitos iguais entre homens e mulheres. E é bom lembrar que "incomodada ficava a sua avó". Nós, mulheres deste novo século, não apenas nos incomodamos, como arregaçamos as mangas e vamos pra rua. E estamos ocupando as ruas do mundo todo porque esta pauta não está em alta somente no Brasil. Vide a 'primavera das mulheres' espalhada pelas ruas do mundo no último mês de setembro, a apresentação da diva-master Beyoncé na final do Super Bowl, o número musical de Lady Gaga no Oscar e as manifestações digitais que tomam conta das redes sociais diariamente: #MachistasNãoPassarão. Como muito bem disse a engajada menina paquistanesa Malala, "feminismo é só um sinônimo para igualdade".

 

No meio musical, em que estou inserida, a maioria dos profissionais é do sexo masculino. Apesar do Brasil ser um celeiro de excelentes cantoras há décadas - Angela Maria, Elis, Gal, Bethânia, Clara Nunes, Céu, Maria Rita e tantas outras - nos bastidores, são os homens que ainda ditam a maior parte das regras do jogo.

 

Conquistar espaço num meio ainda dominado pelos homens não é tarefa fácil mas é possível, claro, se destacar, promover novos debates e ainda ter muito estilo seguindo e ouvindo as mensagens de Bowie & Beauvoir.

 

Na última quinta (3), o Faro MPB, programa que apresento na rádio MPB FM, recebeu a engajada cantora Clarice Falcão. E não foi por acaso. Além de um bate papo que girava em torno da hashtag GirlPower e da importância desta reflexão, dedicamos toda a programação musical às diversas vozes femininas que têm se destacado no cenário musical contemporâneo. E não são poucas. Música conta história. Música é narrativa. E há muitas cantoras promovendo este discurso.

 

Fabi e Clarice Falcão

 

Em novembro, Clarice lançou um clipe da regravação Survivor, sucesso da banda Destiny’s Child, nos anos 2000. Com um batom vermelho conectando mulheres, o clipe tem milhares de visualizações e colocou a artista como um dos ícones do movimento entre a geração y. Vagabunda, uma das faixas do novo disco da Clarice batizado de "Problema Meu", inverte a lógica da “canção de inimiga”, subgênero do funk cantado por Valesca Popozuda e Ludmilla. Nos versos de Clarice, a mulher se solidariza com a amante de seu marido e é o que temos visto no dia a dia: o aumento da sororidade (sororidade é o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo).

 

Não é fácil matar um leão por dia. Cansa, desanima e muitas vezes dá vontade de desistir (pra quê mentir?). Mas ter consciência de que a caminhada apesar de longa é prazerosa e muito digna - só a educação pode mudar padrões - me fortalece.

 

Meu dia a dia, inserida neste mercado majoritariamente masculino, é basicamente de resistência. Promovo, através de projetos que idealizo, a valorização das mulheres. Grande parte de tudo que crio conta com o apoio, o incentivo e a participação de artistas poderosas e talentosas. Minha empresa, a Valentina, tem como logo uma flor cor de rosa pra já deixar claro o posicionamento da marca (rs). Minha inspiração afetiva e profissional vem da força de todas as mulheres que convivo. De umas, capto a paciência, de outras a doçura, algumas me ensinam a ser perseverante e a maioria me mostra que sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. Sigamos.

Tudo a ver com

Produza que nem elas