Comprovando teoria (inútil)
Fabiane Pereira

23.10.2015

Institutos de pesquisa devem passar por longos períodos de pouca demanda, né?? Só isso explica pesquisas que comprovam que "os homens preferem as mulheres rebeldes"; "a quantidade de leite desperdiçada no bigode dos britânicos (oi?) é a maior do planeta" ou que "vacas que são carinhosamente chamadas por um nome produzem mais leite do que aquelas que não são batizadas” (você leu certo!).

 

Santa paciência para tanta pesquisa inútil!

 

A revista científica Personality and Social Psychology Bulletin publicou, esses dias, o resultado de uma pesquisa que tenta entender, pela enésima vez, o sexo dos anjos. Opsss, péra! Eu quis dizer que tenta entender a preferência dos homens e das mulheres em relação à atração sexual. Ambos preferem parceiros com 'certa dose' de rebeldia em oposição a pessoas submissas.

 

Cê jura que precisou gastar tempo e dinheiro de cientistas que poderiam estar buscando a cura da Aids pra entender isso? Enfim, que este mundo está ao contrário, e muita gente já começou a reparar, é óbvio. Mas ainda me causa espanto os resultados de certas pesquisas. Minto. Me causa espanto pessoas se dedicarem a certas pesquisas.

 

Admiro, profundamente, o trabalho dos pesquisadores, tanto que, quando criança, já sonhei em trabalhar com jaleco branco dentro de um laboratório só pra ter a chance de ganhar algum Nobel pela descoberta de algo que mudaria os rumos da ciência e, consequentemente, da humanidade. Mas tenho notado um certo exagero e, por que não dizer, inutilidade nas pesquisas que têm sido divulgadas por aí.

 

Por isso, me dei ao trabalho de separar algumas que apareceram na minha timeline (do facebook e do twitter) recentemente para exemplificar MINHA TEORIA: a ciência também presta um desserviço.

 

1. Uma pesquisa divulgada pelo site da rádio Capital FM afirma que as canções da Adele são as mais indicadas para combater a falta de sono. Segundo a pesquisa de (in)utilidade pública, a cantora inglesa foi a mais citada quando quiseram saber que música se ouvia antes de uma boa noite de sono.

 

Acredite se quiser. 

 

2. Estudantes da Universidade de Nova York afirmam que assistir a filmes de terror faz o cérebro humano sentir medo. De acordo com um artigo da revista Science, filmes de terror fazem o cérebro reviver experiências ruins, e o medo gerado por eles faz com que o corpo fique em estado de alerta. O estresse faz ativar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que resulta no aumento da liberação de um monte de substâncias que são típicas de resposta à tensão, ou seja, o medo.

 

WTF?? 

 

3. O Spotify, empresa sueca que oferece um serviço ÓTIMO de música digital, fez uma pesquisa que chegou a conclusões, digamos, curiosas – okok, esta pesquisa não é científica, mas é tão inútil quanto. Segundo o psicólogo Daniel Mullensiefen, 40% das pessoas sentem mais vontade de transar quando ouvem música durante as preliminares. Entre as preferidas, ainda segundo tal pesquisa, o hit (I’ve Had) The Time of My Life, do filme Dirty Dancing – Ritmo Quente (1987), é o primeiro colocado.

 

Jamais poderíamos morrer sem saber disso. 

 

4. Pesquisas afirmam que o shampoo deve ser passado primeiro na raiz dos cabelos e só depois nas pontas.

 

Sinceramente, minha gente, que diferença faz?? 

 

5. Pesquisadores do instituto Small Demons (que devem passar por um longo período anual de ócio criativo) divulgaram, no site do semanário inglês NME, que a música Hey Jude, balada dos Beatles, é a mais citada da banda em livros.  Ou seja, pesquisadores passaram décadas buscando, em milhares de livros, citações para todas as músicas da banda britânica e chegaram a esta conclusão.

 

E agora, o que fazemos com essa informação?

 

Nada.

Absolutamente nada.

Tenha dó! É muito desserviço.

Tudo a ver com

The Beatles: A História por Trás de Todas as Canções