(Ainda) não casei mas comprei uma bicicleta
por Fabiane Pereira

03.06.2016

Bike e meio ambiente

Aproveitando o Dia Internacional do Meio Ambiente, que acontece esse domingo 5 de junho, vou contar pra vocês como eu troquei (ou reduzi bem o uso, pelo menos) o carro pela bicicleta, melhorando minha qualidade de vida e, um pouquinho, o meio ambiente. Quanto mais gente entrar nessa, melhor, claro. Então, prontos pra esse desafio? ;)

 

Uma das minhas memórias de infância mais engraçada e saudosa é com minha mãe, na pracinha em frente à casa em que fui criada, me ensinando a andar de bicicleta. Ali começava minha sina com "veículos" de roda. Demorei bem mais do que a média da "turma da rua" para conseguir andar de bicicleta sem rodinhas. Dona Olga foi paciente e chegou a perder alguns quilos com a tarefa árdua ("o que foi ótimo!", costuma dizer.). Eu ganhei esta lembrança afetiva pro resto da vida.

 

Moro no Humaitá, trabalho duas vezes por semana em Botafogo e outras duas na Gávea, faço terapia no Jardim Botânico uma vez por semana e quando preciso ir ao Centro da cidade uso o metrô, então por que demorei tanto pra largar o carro e comprar uma bicicleta? Antes de responder, uma correção: eu não larguei definitivamente o carro mas hoje só o uso em casos extremos como quando preciso cruzar a Dutra pra visitar família e amigos em Volta Redonda.

 

Outro adendo importante é que eu já tenho uma bicicleta elétrica há mais de quatro anos mas nunca me adaptei. Tive dificuldades em manobrá-la - ela é muito mais pesada do que uma bike normal - nas calçadas esburacadas do Rio e, por incrível que pareça, apesar do meu trajeto ser basicamente na zona sul carioca - região da cidade onde se tem mais ciclovias -, poucos são os trechos ininterruptos para ciclistas. E passar no meio dos carros entre uma rua e outra guiando uma bike elétrica sempre me deixava apavorada. Cansei de frear quando tinha que acelerar e vice-versa (veja bem, caro leitor usuário de bicicleta elétrica, no início deste texto eu disse que sempre tive problemas com veículos de roda).

 

Voltando... e respondendo a minha própria pergunta, demorei pra aderir à bike como meio de transporte porque sou preguiçosa e gosto muito do conforto que o ar-condicionado do carro, nesta cidade caliente, proporciona durante os deslocamentos. Mas a preguiça e o conforto começaram a perder espaço quando meu descontentamento com o trânsito - a cada dia mais intenso - e minha preocupação com o meio ambiente aumentaram.

 

Há dois anos, comprar uma bike e ter uma vida mais saudável estão entre os "top five" da minha "lista de prioridades" e já no segundo mês de 2016 (finalmente!) consegui dar check nestes tópicos. Mas como não estou aqui pra fazer "tipo", preciso deixar claro que se você não tem o hábito de praticar esportes, nem mesmo dar uma caminhada três vezes por semana, as primeiras pedaladas são de chorar, literalmente. No dia seguinte à tentativa de tornar-me uma cicloativista, num trajeto curto de ida e volta entre o Humaitá e a Gávea, tive que tomar dois Dorflex para conseguir trabalhar, doíam todas as articulações. Sequer conseguia encostar no banco da bicicleta sem sentir meu nervo ciático.

 

Depois de dias seguidos entre as dores e as delícias das pedaladas, meu corpo adaptou-se.

 

O melhor de andar de bicicleta não é emagrecer, tonificar a musculatura nem parar de emitir gás carbônico na atmosfera mas conscientizar-se do espaço do outro. Ciclistas, na maioria das vezes, dividem as calçadas com os pedestres e as ruas com os motoristas. Mas apesar do aumento significativo do número de bikes, o desrespeito ainda é grande, principalmente nos horários de rush quando já estamos apressados, cansados e impacientes. Quando um ciclista passar por você, antes de pensar em xingá-lo ou fechá-lo com seu veículo, tente se lembrar que bike é um carro a menos e isso é muito. E você pode machucar sério alguém por causa de um momento de raiva.

 

A Organização das Nações Unidas já elegeu a bicicleta como o transporte ecologicamente mais sustentável do planeta, e conseguir incorporar esta prática no dia-a-dia tem sido um grande prazer. Segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cerca de 7% dos brasileiros já utilizam a bicicleta como meio de transporte principal, o que tem contribuído para a diminuição do impacto da poluição no meio ambiente. Viva!

 

Mas esta porcentagem deve aumentar muito nos próximos anos, por isso, apesar do curto período de vida cicloativa, acho que, já posso dar algumas dicas para facilitar as pedaladas pelas ruas da cidade:

1 - Utilize roupas chamativas para evitar o risco de colisões com automóveis, principalmente à noite;
2 - Usar capacete é obrigatório e óculos de sol são recomendados;
3 - Nunca pedale na contramão. Ande sempre na ciclofaixa e, nos trechos que não houver, à direita da pista;
4 - Cuidado ao utilizar fones para ouvir música. É preciso ter atenção no trânsito. Ouça música e pedale somente durante os passeios de finais de semana, no dia-a-dia, esteja muito atento;
5 - Leve sempre uma garrafa com água.

 

No mais, compre uma bicicleta e mude de vida. \o/

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